PARA ONDE VAMOS?
- 21 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de out. de 2025
APRENDER, CRESCER E EVOLUIR?

Uma das perguntas mais antigas da humanidade ecoa em cada geração: “Por que precisamos aprender, crescer e evoluir? Afinal, para chegar aonde?”
Essa inquietação surge sempre que sentimos a vida como uma escola sem diplomas, um caminho cheio de provas, mas sem um certificado final que nos diga “você chegou”.
A visão de Seth: expansão, não chegada
No clássico Seth Speaks, canalizado por Jane Roberts nos anos 1970, a resposta rompe com as velhas ideias de destino fixo. Seth afirma que a alma não caminha em linha reta rumo à perfeição. Não há um “céu final” onde repousaremos absolvidos de todo erro. Pelo contrário, a essência de quem somos é movimento, criação e expansão infinita.
Segundo Seth*, cada vida é uma oportunidade de experimentar aspectos diferentes do nosso ser maior. Encarnamos em múltiplos tempos e lugares, em diferentes papéis, porque o Eu total busca se conhecer em todas as formas possíveis. Não se trata de atingir um ponto final, mas de viver o processo criativo da consciência.
Ou seja, aprendemos porque somos consciência em expansão. Crescemos porque cada experiência — prazerosa ou dolorosa — se torna material de construção de nossa identidade cósmica. Evoluímos porque a vida não é um exame a ser passado, mas um campo fértil de descobertas.
As religiões: o mito da chegada
Enquanto Seth dissolve a ideia de chegada, muitas tradições religiosas cultivam narrativas de destino.
• Cristianismo: fala em salvação e no “Reino dos Céus” como lugar de descanso eterno.
• Budismo: propõe o Nirvana como libertação final do ciclo de renascimentos.
• Hinduísmo: vê a existência como samsara — roda de nascimentos e mortes — e a meta última como moksha, a união com o divino absoluto.
• Islamismo: coloca a vida como teste diante de Allah, com o Paraíso como prêmio e o Inferno como consequência da negligência espiritual.
• Tradições indígenas e ancestrais: muitas não falam em “chegada” definitiva, mas em ciclos de continuidade, em que a alma retorna e permanece em relação com os vivos.
Cada religião oferece uma imagem do destino — céu, paraíso, libertação, união, continuidade — mas, de certo modo, todas refletem a nostalgia humana por um ponto de repouso.
Então… para chegar aonde?
Talvez a resposta mais honesta seja: não precisamos chegar a lugar nenhum.
Aprendemos, crescemos e evoluímos para:
• Ampliar a consciência e enxergar mais da realidade.
• Criar novas formas de ser, como artistas que não se contentam em pintar um único quadro.
• Integrar todas as nossas facetas, lembrando que somos muito mais do que uma única biografia.
• Reconhecer que o divino não está fora, mas pulsa em nós como criatividade infinita.
Não há linha de chegada. Há apenas estrada, paisagens, cores em movimento.
O destino é a própria jornada.
A alma não aprende porque é imperfeita.
Ela aprende porque deseja se conhecer em novas formas.
Não crescemos para nos tornar algo “melhor”, mas para expressar mais daquilo que já somos.
Cada vida, cada escolha, cada gesto é uma nota na sinfonia maior da criação.
E quando perguntamos “para chegar aonde?”, talvez a resposta seja esta:
para chegar a nós mesmos, em todas as nossas infinitas versões.
Porque no fim — e no começo — somos eternos viajantes da consciência, pintando universos como quem espalha cores no chão do infinito.
Por Lucia McAloon
*Seth é uma entidade espiritual canalizada pela escritora e médium Jane Roberts (1929-1984) entre 1963 e 1984, cujas mensagens formam a base do "Seth Material", uma das obras mais influentes do movimento New Age e da filosofia metafísica contemporânea.



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